Sexta-feira, 17 de Julho de 2009

Um giro de 180° pelas gruas de Luanda.



Todo mundo sabe que Angola passa por uma grande transformação, que o mercado imobiliário está a todo vapor, mesmo com a crise que assola o país as construções não param.

Abaixo seguem algumas fotos que ilustram bem as mudanças que estão ocorrendo na cidade...

Embaixada dos EUA e ao fundo uma obra dos chineses


Refinaria de Petróleo, a única de Angola até o momento


Porto de Angola, com filas intermináveis de návios. Já existe um projeto de ampliação com transferência para a região da Barra do Dande.


Torre Ambiente, misto de residencial e comercial na baixa de Luanda. Vista privilegiada da Baia.


Baia de Luanda, já está um curso de requalificação total, com passeios e equipamentos de esportes para os usuários.


Fortaleza de São Miguel, fechada para reforma há mais de 6 meses e sem data para reabrir.


Torre do Atlantico, entregue ano passado. Localizado de frente para a Baia. Na parte da frente escritórios e nos fundos residencias. Ao lado o prédio do BPC e ao fundo as gruas dos novos arranha céus de Luanda.


Prédio da Sonangol e Tour Elisée, ambos entregues em 2008.


Prédio histórico do BNA, um dos poucos preservados em Luanda. Ao fundo as obras para aterrar a baía, um verdadeiro atentado ao meio ambiente.


Sana Vip Hotel, primeiro hotel 5 estrelas de Angola, as obras estão aceleradas para que fique pronto para o Can. Alguém aposta nisso? Ao fundo o prédio da Assembléia e a direita o prédio colorido dos chineses. A noite várias luzes ficam acesas formando painíes coloridos, desenhos animados e etc.


Ao centro o Skina Vip Hotel, mais um que corre contra o tempo para atender o CAN. A esquerda um prédio residencial, provavelmente o Kaluanda.


Zimbo Tower e Kinaxixi Residence, ambos residenciais no coração do Kinaxixi.


Banco Espírito Santo, últimos retoques para a inauguração. A direita no canto de baixo pode-se ver as obras do Kinaxixi Complex que será erquido onde ficava o famoso mercado Kinaxixi e a estátua da Rainha Ginga, que aliás ninguém sabe onde foi parar.


O famoso prédio da Cuca e o Prédio da Lagoa abandonado desde 1975, foi invadido e tornou-se uma verdadeira favela vertical. Existem vários projetos para demolição do mesmo, que se tornou uma verdadeira bomba relógio.


Comandante Gika, um grande complexo com residenciais de alto luxo, torre de escritórios e shopping. A esquerda o Ed. São Paulo, tambem de alto padrão como tudo que é feito em Angola. A direita é possível ver as gruas do Solar do Alvalade e o Hotel Alvalade outro símbolo de Angola.


Hotel e Cassino Intercontinental, outro hotel de 5 estrelas para atender a forte demanda da cidade.


Cemitério Alto das Cruzes, localizado numa das regiões mais nobres da cidade, ao lado do Intercontinental e em enfrente a embaixada dos EUA.


Three Towers, outro complexo residencial e comercial com a melhor vista da cidade.


E como Angola não para de crescer, mais um prédio à nascer na Baixa de Luanda. Provavelmente mais um residencial da Total.


Alguém ainda tem dúvidas que Angola está a mudar?

Terça-feira, 14 de Julho de 2009

O Cabo Verdeano

Desde que li no blog da Ju, sobre o Cabo Verdeano não canso de tentar ir até lá, mas por incrível que possa parecer já se vão mais de 6 meses sem sucesso.

A primeira vez que tentei ir era sábado e depois de rodar por toda a Chicala descobrimos onde fica, mas só abre as sextas. Na última sexta fomos nós novamente tentar encontrar o local e dessa vez tivemos sorte.

A escolha não podia ter sido melhor, música de primeira em ambiente muito simples e descontraído. O espaço é bem pequeno com muitas mesas de plástico amontoadas uma nas outras e cheio de gente disposta a aproveitar a noite de Luanda de forma saudável. A mistura de povos existente ali deixa claro a mudança social que Angola vive, são angolanos, cabo verdeanos, brasileiros, portugueses, franceses e outros europeus que o sotaque não me permite distinguir.

Do lado de fora vimos uma mesa vazia e sentamos, ai chegou o garçom e disse que a mesa estava ocupada. Quando íamos levantar o dono da mesa disse para ficarmos que ele estava sozinho e se sentava na mesa ao lado com duas moças que estavam sozinhas e insistiram para nós sentarmos também.

Tudo resolvido, mas nem tanto, chega um senhor e começa a brigar com o garçom porque ele estava lá esperando a mesa antes de nós. Toca nós levantarmos de novo, mas o casal insiste para que fiquemos e assim, voltamos para nosso lugar onde dividimos a mesa e a conversa com um casal de angolanos descendentes de Cabo Verde.

Quando o garçom demorava a nos atender todos os angolanos que estavam em volta reclamavam com o garçom que as nossas cervejas não tinham sido servidas ainda.

Entre uma cerveja e outra conversamos sobre as belezas de cabo verde, os filhos e netos do senhor que se dizia verdadeiramente apaixonado pela neta. A moça nos conta da dificuldade que tem em criar o filho sozinha. Falam da discriminação que existe no Brasil e mesmo em Angola.

A moça que é mulata nos conta que quando vai ao mercado tem de brigar para ter os preços justos por ter a pele mais clara que os outros e não aceita de forma alguma pagar mais caro por isso.

A noite corre agradavelmente com troca de experiências impossíveis de existir nas casas noturnas da Ilha. Os cantores se revezam nos microfones e no repertório entre músicas angolanas e cabo verdeanas até Alcione é tocada e cantada em coro por todos os participantes.

Mas o que faz com que todos se levantem para dançar são as músicas cabo verdeanas. Assim, entre uma música e outra vão lembrando as paisagens distantes e matando as saudades da terra que muitos nunca viram, mas povoam as lembranças de histórias contadas por seus antepassados...

Para finalizar a noite a nossa amiga deixa uma frase ecoando nas nossas cabeças.

“Eu tenho sangue negro, somos todos iguais, somos todos africanos.”

Segunda-feira, 29 de Junho de 2009

A Crise Econômica Chega à Angola



Enquanto o mundo todo entrava em pânico com a crise econômica provocada pelos sub-primes, Angola continuava a todo vapor. Ninguém nem se quer tomava conhecimento do que estava acontecendo.

Alguns analistas do governo diziam que a crise seria muito boa para o governo porque os países ricos procurariam economias emergentes para investir e Angola sem dúvida seria a opção certa.

Um ano depois de todo o alvoroço que provocou a quebra de inúmeras empresas os efeitos começam a chegar por aqui. Mas como sempre todo mundo finge que não está acontecendo nada.

A queda no petróleo fez o governo rever seu planejamento orçamentário de 2009 que estava projetado baseado no preço do petróleo em US$ 80/barril. O governo parou de pagar seus fornecedores, os fornecedores pararam de pagar seus fornecedores e assim a bola de neve gira.

O BNA anuncia uma nova política de câmbio da noite para o dia todo mundo é proibido de sacar mais de US$ 5.000. Falta de liquidez nos bancos, desvalorização do Kwanza, inflação...

O mercado imobiliário que não pára de crescer em Angola, devido ao programa de reconstrução e desenvolvimento nacional, pois o pé no breque.

Quem tem dinheiro para comprar mais um dos inúmeros lançamentos imobiliários milionários de Angola não consegue movimentar o dinheiro. Outro dia visitando um stand de vendas de um grande lançamento residencial a corretora me contou uma história daquelas que a gente pensa que só pode ser gozação.

“A crise está atrapalhando bastante as vendas, os clientes vêem aqui e querem comprar. Eles têm dinheiro, mas o banco não deixa eles movimentarem. Outro dia uma cliente escolheu 4 apartamentos (cada um custa mais de US$ 1 milhão), mas o banco não deixava ela transferir o montante, então ela teve que viajar para o exterior e sacar da conta dela lá”.

Enquanto isso, nós pobres mortais que não temos contas no exterior para sacar nossos dólares vamos seguindo a vidinha, com cada vez mais produtos sumindo das prateleiras e com preços mais altos.

Onde isso vai parar? Ninguém sabe ao certo, o Novo Jornal de 12/06 fez uma matéria muito interessante sobre tudo isso que está acontecendo na economia Angolana. Eles retratam dois cenários para 2009:

“...Caso o petróleo suba para patamares confortáveis teremos a manutenção da taxa de inflação, em torno dos 10%. Num segundo cenário, se o petróleo se mantiver na casa dos US$ 50 o governo diminuirá a intervenção no câmbio, derivados e produtos. Como conseqüência haverá uma subida dramática nos preços com graves conseqüências econômicas, sociais e políticas... “.

Vamos torcer para que o pânico não se instale nas empresa estrangeiras e que Angola continue a crescer.

Quarta-feira, 17 de Junho de 2009

Festa Junina



Junho é o mês de Santo Antônio (13/06), São João (24/06) e São Pedro (29/06), onde se realizam as famosas festas juninas brasileiras que arrastam multidões em volta das suas fogueiras.

Desde as pequenas quermesses de rua até as mega festas tradicionais do norte e nordeste. Todo mundo libera seu lado caipira e comemora a data com muita música e alegria.

Além da fogueira que não pode faltar, quadrilha, quentão e uma infinidade de comidinhas típicas uma mais gostosa que a outra tem lugar garantido nas festas.
Mas então, em Angola não tem festa junina, não?

No Brasil o hábito de comemorar as festas juninas foi introduzido pelos portugueses e como Angola também tem o mesmo passado colonizador...

Enfim, pq aqui não tem quermesse em cada esquina também?

Fiquei sabendo hoje que a embaixada brasileira realizou um arraial no Chá de Caxindé semana passada.

Puxa!! Divulgação nota zero pra eles. Como quase tudo aqui em Angola, a gente só fica sabendo depois que aconteceu. O cenário cultural angolano já é limitado e quando tem novidade ninguém comunica...

Nem sendo brasileira e tendo me cadastrado na embaixada fui avisada...

Agora vou ter de esperar mais um ano inteiro até a próxima festa junina...

Sábado, 13 de Junho de 2009

As férias foram ótimas e o blog ainda não acabou


Já voltei de férias há quase 15 dias, mas como vocês podem perceber ainda não me animei a voltar a escrever. Nem mesmo agora tenho uma idéia clara do que escrever.

Tenho vários assuntos pipocando na minha mente, mas não consigo organizá-los de forma coerente.

Então resolvi escrever apenas para vocês saberem que eu voltei, as férias foram ótimas e o blog ainda não acabou...

Vou colocar as idéias em ordem para falar de tudo isso que aconteceu durante os meus dias de férias:

• Dólares que somem dos bancos
• Medidas que proíbem a demolição do patrimônio histórico
• Patrimônio histórico que é demolido
• Incêndios no mínimo duvidosos, os quais ninguém comenta
• Bagagens que mais parecem containers no saguão de desembarque
• Os carrinhos que sumiram do Shoprite
• Fórum imobiliário onde se fala, fala e não muda nada...
• Semana de Portugal em Angola
• Show da Mariza
• Exposição no Camões
• Pescaria
• Cais de 4 fechado...
• Mega projetos em Benguela
• Mega pobreza por todos os lados...
• Criança de 5 anos violada por 4 rapazes (se é que pode-se chamar de rapaz uma criatura dessas).
• Quando é hora de ir embora?
• Será que tudo é culpa do Cacimbo?
• Zungueiras e Zungueiros...

Aiii, acho que é muita informação, mas ao mesmo tempo, parece que nada mudou!
Tô me sentindo como uma personagem do livro Cem anos de Solidão.

Tá tudo escrito e as vidas não passam de ciclos que se repetem...

Quarta-feira, 29 de Abril de 2009

Angolanos no Brasil



Que muitos angolanos viajam ao Brasil todo mundo sabe, mas e quando eles viajam conosco e querem conhecer a nossa cidade. O que fazer?

O Brasil é um verdadeiro parque de diversões para adultos. Mas dependendo do lugar onde eles se hospedam pode ser um verdadeiro inferno.

Um casal de amigos foi ao Rio de Janeiro antes de se encontrar comigo em São Paulo, no Rio como estavam sozinhos entraram em algumas frias como ficar em um hotel pulguento em Copacabana que foi vendido como o melhor 4 estralas da cidade.

Depois indicaram uma casa noturna gay como a melhor balada da Lapa. Quero deixar claro que não tenho nada contra gays ou cariocas e as robadas aqui citadas poderiam acontecer em qualquer cidade.

Enfim eles chegaram a São Paulo e pude mostrar um pouco das coisas boas da minha terra. Infelizmente não tínhamos muito tempo, pois estavamos a trabalho.

A primeira providencia foi instalá-los em um hotel bem localizado, próximo a shoppings, bons restaurantes e que fosse tranquilo. A opção foi o Tryp da Iguatemi a duas quadras da Amaury e do ladinho do Shopping Iguatemi.

Depois de instalados eles me pediram para ir almoçar comida típica brasileira... Nossa que difícil.. Os meus restaurantes preferidos são os japoneses e mexicanos. rs

Mas a Feijoada do Bolinha me salvou, funciona diariamente e a comida é excelente. A escolha também foi aprovada.

No roteiro gastronomico não pode faltar a churrascaria e um almoço sossegado no restaurante do MAM, com direito a passeio pelo parque do Ibirapuera.

O terceiro pedido foi de ouvir música brasileira... Pagode, MPB, Samba, Rock??? O que eu faço agora... Demônios da Garoa no Bar Brahma no coração da cidade em pleno cruzamento da Av. Ipiranga com a São João. Tem lugar mais paulista do que esse?

Mais uma vez a sugestão foi aprovadíssima.

E para finalizar o roteiro compras, R. João Cachoeira, Shopping Ibirapuera e para finalizar 25 de março onde você vai encontrar o pedido mais comum das angolanas. Onde comprar cabelo?

Até essa viagem nem fazia idéia de onde e como se compra cabelo, mas agora fiquei expert. rs

Mas lógico que São Paulo tem um milhão de coisas para oferecer, mas devido a uma gripe forte e o pouco tempo disponível não foi possível fazer o tour completo.

De volta a Luanda que diga-se de passagem foi uma volta bem mais tranquila do que as outras vezes. Formulário de entrada no país distribuido no avião, carrinhos a disposição para levar a mala e total tranquilidade para passar pela imigração.

Agora eu saio de férias e só volto em junho.

Terça-feira, 14 de Abril de 2009

A mesquita de Luanda



Angola é um país católico, mas como no Brasil acolhe todas as religiões. Desde seitas demoníacas que mantém crianças aprisionadas e violentadas, culpadas pela decadência das famílias.

A essas crianças acusadas de ter o diabo no corpo não resta muita esperança a não ser quando a polícia invade o local e as liberta. Essas operações acontecem vez ou outra, mas passado algum tempo novas seitas se formam e começa tudo de novo.

O país que acolheu o papa com festa e feriado tem poucas igrejas espalhadas pelas províncias e planeja construir um grande santuário a Mama Muxima, principal santa do país que reúne milhares de fiéis no final do ano, quando se comemora o dia da santa.

Com o apoio da TV Record a igreja Universal vem se expandindo pelo país, apela para campanhas humanitárias a favor das vítimas das chuvas no Cunene, contra o lixo nas ruas e na contramão do que disse o papa, distribui preservativo aos fiéis em seus cultos. Dessa forma pouco a pouco arrebanham fiéis que contribuem fielmente com o dízimo mensalmente.

Mas no meio dessa confusão de religiões que fazem de tudo para chamar a atenção e conquistar novos seguidores uma religião vem crescendo sem alarde nem balburdia. A religião islâmica dia a dia ganha novos devotos em toda a África, sem campanhas em TV, sem apoio do governo e com normas rígidas de conduta.

Em Angola é possível ver de perto a rapidez com que o islamismo se espalha. Todas as sextas-feiras num bairro conhecida como Mártires uma pequena mesquita se sobressai ao caos da capital da província.

Por volta das 11:00 da manhã eles começam a chegar, homens e mulheres com cabeças cobertas em seus trajes característicos. A mesquita tem 4 andares e o povo vai chegando e ocupando todos os lugares livres, deixando sapatos nas portas e janelas, por volta do meio dia a mesquita já está repleta e a rua (de terra e toda enlameada devido as chuvas), em frente a mesquita é tomada por tapetinhos coloridos e homens em preces.

Pelos alto falantes é possível ouvir as leituras do alcorão de longe. Os homens permanecem lá por horas ajoelhados sob o sol escaldante. Ninguém reclama, ninguém vai embora. As leituras continuam hora em francês, hora em árabe, hora em uma língua que não consigo identificar.

Uma energia boa se espalha pelo local, nós que observamos o movimento de longe não entendemos nada do que está sendo dito, mas sentimos a força dessa cerimônia.

Pessoas de vários cantos do mundo não param de chegar para as orações, libaneses, jordanianos e árabes são muito faceies de identificar e não são nenhuma surpresa quando chegam em seus carrões com motoristas e se misturam aos congolenses, argelinos e angolanos de igual para igual. Lá não há rico nem pobre, feio ou bonito.
Durante as orações todos ajoelham e rezam em seus tapetinhos coloridos.

Mas tem um grupo que em pequenas turmas aparecem para se juntar aos fiéis que chama a atenção. São os asiáticos, chineses, koreanos, japoneses, thailandeses, filipinos, malayos???

Assim de longe no meio da multidão não é possível identificar. Mas sem dúvida nenhuma mais uma vez vemos que o Islamismo não pára de crescer e mesmo em países com religiões milenares eles ganham força e novos adeptos.

As orações não param e nos vamos nos afastando, pois o calor, do meio dia, pra nos pobres pecadores é quase insuportável. Já um pouco afastado o fotográfo decide tirar umas fotos e é interpelado por um senhor que se diz policial e diz que é proibido tira fotos.

Já tinha ouvido essa lenda urbana aqui de Luanda, mas foi a primeira vez que a vi sendo praticada. Ele ameaça chamar a esquadra, não aceita nenhum argumento até que todas as fotos sejam apagadas...

Infelizmente devido à ignorância que ainda reina em alguns nesse país esse post não tem fotos...

Uma pena, porque não existem palavras que consigam descrever a beleza das cenas que vivenciamos na última sexta-feira santa. Enquanto as igrejas católicas estavam vazias, as ruas ao lado da mesquita do mártires estavam repletas de fiéis.